Cenário econômico de 2018 promete ser favorável aos pequenos negócios

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Via Dino

15/03/18

Para os empreendedores, 2017 marcou o início do fim da crise: o crescimento acumulado do PIB foi de 1% durante o ano. Ao mesmo tempo, depois de dois anos de queda, o consumo das famílias cresceu no mesmo ritmo. E os pequenos negócios fazem parte deste avanço.

É fato que estes resultados estão longe dos números impressionantes de alguns anos atrás – em 2010, o crescimento do PIB foi de 7,5%, em plena crise econômica global. Ainda assim, as cifras de anos anteriores tornam as de 2017 um oásis em meio ao deserto: o total de riqueza produzida no país caiu 3,5%, tanto em 2015 quanto em 2016.

Portanto, é natural que os empreendedores – especialmente de micro e pequenos negócios, que sentem os efeitos das oscilações econômicas antes dos demais – se perguntem: e agora? Será que a maré boa vai durar?

Para os economistas, a resposta a esta pergunta é simples: pode-se dizer que 2018 tende a ser melhor do que 2017, mas ainda longe de ser suficiente para que a economia volte aos níveis pré-crise. A maioria dos indicadores tende a subir, mas nada que deva gerar euforia no mercado.

Crescimento, mas nada muito impressionante

Diversas fontes e organizações apontam que o PIB brasileiro deve subir, ainda que a ritmo modesto.
Para o Fundo Monetário Internacional (FMI) o país deve crescer 1,9% em 2018, puxado pela valorização das commodities e pela flexibilização do mercado internacional, favorecendo as exportações.

Já o Boletim Focus, do Banco Central, é mais otimista: no início deste ano, a previsão de crescimento foi revisada de 2,68% para 2,7%. Alinhada à visão do BC, a Consultoria Tendências faz uma projeção otimista e semelhante: 2,8% de expansão.

Estes números são muito importantes para os empreendedores: quando a economia está aquecida, todos saem ganhando. Como os micro e pequenos negócios são tidos como os motores da economia, a tendência é que a alta do PIB gere resultados animadores.

Estabilização dos níveis de desemprego

Quando a população se sente mais segura quanto à estabilidade de seu emprego, pensa menos antes de abrir a carteira. Portanto, a queda do desemprego é música para os ouvidos dos empreendedores – principalmente de mercados tidos como supérfluos, como restaurantes diferenciados e turismo.

Porém, 2018 ainda não será o ano no qual os níveis de emprego chegarão perto dos registrados em 2010: o impacto da crise foi forte. Portanto, a retomada do trabalho – principalmente do registrado em carteira – deve demorar um pouco mais.

Mas, por que os níveis de emprego levam tanto para reagir à recuperação? É porque, à medida que o mercado se reaquece, quem havia desistido de procurar volta a buscar uma posição, aumentando o universo de pessoas disputando um trabalho. Além disso, os empresários procuram saber bem onde estão pisando antes de investir em contratações .

Ainda assim, há uma boa notícia: pelo menos, o desemprego deve parar de aumentar. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que ele deve fechar 2018 na casa dos 12%, muito próximo à taxa atual. Economistas mais otimistas projetam 10%. De qualquer modo, as estimativas de geração de vagas variam entre 700 mil e 1 milhão.

Mesmo tímida, a volta da geração de postos de trabalho já mostrou resultados: o índice de intenção de consumo das famílias fechou 2018 em leve alta, o que é uma excelente notícia para os empresários.

Custo do crédito, uma incógnita

A taxa básica de juros (Selic) é um índice muito importante para o mercado, já que estabelece as bases do preço do crédito. Para empresários que pensam em abrir uma filial, mudar-se para um ponto comercial maior ou investir na qualificação de funcionários, é importante que o crédito seja barato: isso permite que pequenos negócios tomem empréstimos a taxas mais acessíveis.

De modo geral, os economistas projetam uma Selic mais modesta, abaixo dos 7%. Caso a previsão se concretize, seria uma excelente notícia para quem pretende contar com o apoio de um empréstimo para crescer.

Entretanto, cabe um alerta: as eleições presidenciais de outubro prometem ser extremamente polarizadas. A incerteza repele o investimento estrangeiro, puxando o dólar para cima. Como o Brasil depende muito de insumos importados, isto tende a pressionar a inflação. Quando isso acontece, o Banco Central costuma usar o aumento da Selic como mecanismo de controle.

Portanto, a cautela é o melhor conselho. O empresário deve monitorar muito bem o cenário e deixar as grandes decisões financeiras para depois do pleito.

Menos medo do leão graças ao Refis

No fim do ano passado, o Congresso Nacional aprovou o Refis, mecanismo de renegociação das dívidas das empresas. Mas a notícia não foi inteiramente positiva para pequenos negócios: o presidente Michel Temer vetou a parte do projeto que tratava da renegociação dos débitos de micro e pequenas empresas.

Com isso, o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, se reuniu com ele para pressioná-lo pela aprovação de medida semelhante para os empreendedores de menor porte. Portanto, há a expectativa de que o Congresso derrube os vetos, ou que outro projeto seja encaminhado para tapar este buraco. Consequentemente, há a possibilidade de que as MPEs que devem ao Fisco possam flexibilizar a quitação dos débitos, o que gera alívio financeiro e mais possibilidades de investir em crescimento.

Margem para investimentos em gestão financeira e de processos
Por mais que o cenário de 2018 não prometa nada de extraordinário, ele tende a ser muito mais fértil que o de anos anteriores. Graças a isto, as empresas pretendem investir em melhorias para seus processos de gestão.

De acordo com o relatório Agenda 2018, elaborado e divulgado pela consultoria Deloitte, a gestão de processos é a principal prioridade das empresas entrevistadas para 2018 (53%), seguida pela gestão financeira.

Além disso, as organizações pretendem investir 3% do faturamento em soluções de tecnologia ao longo do ano. Isso significa que a tendência é que os negócios invistam cada vez mais em mecanismos como sistemas de gestão de modo a minimizar perdas, otimizar processos e aumentar os lucros. Quem não pensar nisso tende a ficar para trás.

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